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Sindsaúde e servidores discutem com gestão da Sesab os impactos na assistência e garantias de direitos após fechamento do Heom

A diretoria do Sindsaúde e os servidores do Hospital Especializado Otávio Mangabeira se reuniram com representantes da Sesab nesta segunda-feira (9/7) para se posicionar contra o fechamento da unidade, que sempre foi referência em tratamento de doenças infectocontagiosas na Bahia e no Nordeste. Os profissionais do Heom e o sindicato temem que a medida possa afetar os direitos dos trabalhadores e prejudicar a assistência à população.

Com o auditório do Heom totalmente lotado, o Sindsaúde-Ba, representado pela presidente Ivanilda Brito, a vice Tereza Deiró e a diretora Maria Leonor Carvalho, e os trabalhadores mostraram indignação com a postura da Sesab que não discutiu previamente com os profissionais o fechamento e a futura mudança de perfil da unidade. Eles questionaram à gestão quais serão os critérios adotados para remoção dos profissionais para o novo Instituto Couto Maia (Icom), inaugurado no dia 6 de julho, e para outros hospitais.

A presidente Ivanilda Brito deixou claro para a gestão que o sindicato exige a garantia de que todos os profissionais participem do processo de discussão de transferência, bem como, que não haja perdas de direitos. Ela questionou também como ficará a assistência aos pacientes com tuberculose após o fechamento do Heom, pois, de acordo com informações repassadas para os servidores, o Icom possui apenas 30 leitos de internamento para esta especialidade.

Profissionais temem desassistência e avanço da tuberculose

A equipe multidisciplinar do Heom também vem travando uma grande luta com a Sesab para entender o perfil que está sendo desenhando pela Sesab para a unidade. Profissionais de diversas áreas, entre médicos, técnicos e auxiliares administrativos, nutricionistas, psicólogos, farmacêuticos e administrativos, dentre outros trabalhadores participaram da plenária e deram depoimentos emocionantes, demonstrando preocupação e comprometimento com os pacientes após o fechamento do Heom.

Para os profissionais, a mudança de perfil na gestão do Heom causaria um choque nas populações que mais precisam daqueles serviços hospitalares. Além disso, existe uma preocupação sobre a possibilidade de avanço da doença, considerando as condições socioeconômicas da população.

Os trabalhadores também destacaram importância da manutenção do Heom por se tratar de um centro de referência para o diagnóstico e o tratamento da tuberculose em qualquer estágio da doença, não apenas os casos graves que serão tratados no Icom.

 

 

Denúncia ao CES

A vice-presidente do Sindsaúde-Ba Tereza Deiró criticou a postura da Sesab e propôs denunciar a situação do Heom durante reunião do Conselho Estadual de saúde (CES), na próxima quinta-feira (12/7), no Hospital Roberto Santos. “Não tem sido tranquilas as mudanças que o secretário Fábio Vilas Boas e o governador Rui Costa têm imposto à saúde do estado da Bahia, no que diz respeito às privatizações, terceirizações do SUS. Isso mexe com a vida dos trabalhadores e dos pacientes. As mudanças ocorrem primeiro no gabinete e, por último, chegam ao servidor sem nenhum respeito ou consideração. Não devemos cruzar os braços e ficar no conformismo. Nós devemos denunciar o que o governo vem fazendo com a saúde pública do estado”, disse Tereza, ressaltando que a Sesab não realiza concurso há nove anos para repor o déficit de profissionais.

 

Gestão se comprometeu em ouvir os trabalhadores

A superintendente de Recursos Humanos da Sesab, Maria do Rosário Muricy se comprometeu em enviar equipes da gestão para a Heom para prestar atendimento individualizado aos trabalhadores com o objetivo de dialogar sobre as suas situações  funcionais. Ela garantiu também que vai dar prioridade na publicação dos processos de aposentadorias e licença prêmio. Ela afirmou que as equipes farão o possível para que os trabalhadores sejam transferidos para as unidades de sua escolha, dentre aquelas que estão com déficit de profissionais.

Quando questionada sobre a possibilidade de perdas nos percentuais de insalubridade, ela não garantiu, entretanto, que todos continuarão a receber os 40% que é pago para os servidores do Heom. “Tudo vai depender do local onde cada trabalhador será transferido”, pontuou.

Sobre a transferência de pacientes para o Icom, a diretora de gestão da Rede Própria da Sesab Tereza Paim esclareceu que serão removidos para a nova unidade apenas os portadores de tuberculose grave e com HIV.  Ela afirmou que os demais pacientes deverão ser tratados em outras unidades de saúde convencionais. Ela afirmou também que, após a reforma, o Heom será um hospital especializado em cirurgias torácica, de cabeça e pescoço.

Também participaram da plenária o diretor de Gestão do Trabalho e Educação Continuada da Sesab, Bruno Guimarães e a coordenadora Geral de Processos de Pessoas Enedina Brandão e Ricardo Pereira.

A diretoria do Sindsaúde cobrou da gestão que todos os compromissos firmados sejam cumpridos. O sindicato reforça que sempre defendeu a manutenção do Heom, formado por profissionais experientes e altamente qualificados, com o reforço de novos trabalhadores para assegurar o atendimento de qualidade que a população merece.

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