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Não vamos mais parar – Site Bahia Notícias – 11/03/2016

por Aladilce Souza

 

AladilceHá 84 anos as mulheres são autorizadas a votar no Brasil, e isso é um avanço, claro. Mas, infelizmente, a distância entre votar e ocupar cargos de poder ainda é grande. Apesar de representarmos 52,13% do eleitorado (dados das eleições de 2014) ainda somos sub-representadas. Na Câmara Municipal de Salvador somos apenas cinco mulheres entre 43 vereadores. Na Assembleia Legislativa da Bahia temos 63 cadeiras, mas só sete mulheres ocupam assentos nesse colegiado. Não é diferente na Câmara Federal e no Senado, que as mulheres são 50 e 11 para 513 e 83 vagas respectivamente. Marcamos o 121º lugar no ranking  mundial de participação das mulheres na política. As mulheres também ocupam apenas 10% das prefeituras e representam 12% dos conselhos municipais, apesar do cumprimento da lei de cotas (30%) obtido primeira vez nas eleições municipais de 2012.

Política é poder, e os homens o querem para si. Ainda é difícil para uma sociedade machista ver uma mulher encarando o mundo através da perspectiva feminina, compreendendo a história e o papel da mulher na política. E uma vez compreendida essa questão, a mulher entende que pode ser o que quiser e que pode defender o que acredita. A ONU entende que empoderar mulheres é empoderar a humanidade. Segundo a organização, “empoderar mulheres e promover a equidade de gênero em todas as atividades sociais e da economia são garantias para o efetivo fortalecimento das economias, o impulsionamento dos negócios, a melhoria da qualidade de vida de mulheres, homens e crianças, e para o desenvolvimento sustentável”.

Ainda falta muita, muita, muita coisa. Precisamos de políticas públicas que viabilizem as nossas demandas. Precisamos rever o papel das mulheres na sociedade considerando recortes raciais e de classe. Dados da ONU registram que a taxa de desemprego das mulheres é cerca de duas vezes a dos homens, uma diferença que aumenta quando se comparam homens brancos(5,3%) com mulheres afrodescendentes(12,5%). Apenas um quarto das mulheres empregadas está no setor formal. O salário médio para os homens é 30% maior do que o de mulheres. Um terço das famílias brasileiras é chefiada por mulheres, e metade delas é monoparental. As mulheres dedicam mais do que o dobro do tempo de dedicação dos homens para realizar tarefas domésticas. A taxa de feminicídio para as mulheres dobrou entre 1980 e 2011, e hoje uma mulher é assassinada a cada duas horas, a maioria por homens com os quais têm relações íntimas.

Estamos chegando perto de saber como sair do lugar, tentando impedir retrocessos absurdos nos nossos direitos. Mas uma coisa é certa: ninguém mais para as mulheres. Ninguém mais cala as mulheres. Muita gente ainda acha que não é função da mulher ocupar cargos de poder. Mas a nossa opção é mostrar ao mundo que essas pessoas estão erradas e que nós vamos avançar e conquistar poder cada vez mais.
*Aladilce Souza – vereadora de Salvador pelo PCdoBe diretora do Sindsaúde-BA

 

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